domingo, 19 de agosto de 2007

Resposta aberta...

Recebi seu e-mail sobre a repercussão do documento divulgado pelo Vaticano esta semana...
Queria que, se você pudesse, de forma resumida, me contasse como o ecumenismo é na sua vida de forma prática, como você se coloca frente aos cristãos evangélicos, as diferenças etc...
Como é ver Cristo no próximo, que é evangélico e não vê Cristo em você que é católico?
(MARTA, Campos – RJ)


Oi Marta, a paz!
Louvo a Deus por essa inquietação no seu coração...
Acho que a primeira coisa que podemos fazer pra viver a unidade dos cristãos é não abafar esse incômodo que surge no nosso íntimo por causa da divisão da Igreja de Cristo. E devemos buscar respostas, como vc tem feito!
Falando um pouco da minha vivência...
Bom, eu não tenho me relacionado tanto com cristãos evangélicos que não enxergam Cristo em mim, não sei se conseguirei responder tão bem à sua pergunta.
Mas já aconteceram algumas situações em que o meu testemunho de experiência com Deus fez com que alguns evangélicos pensassem que eu fosse evangélico também, e quando descobriram que eu era católico, tiveram uma surpresa!
Penso que precisamos dar mais surpresas para os evangélicos, me entende?
Surpreende-los quando mostramos o nosso jeito de ser de Cristo, que é diferente, mas é real!
E sinceramente minha irmã, penso que a palavra fundamental é o amor...
Não vejo segredo, por mais que eu ainda não tenha me deparado com uma situação tão difícil.
Outra coisa, muitas vezes os evangélicos não reparam só no nosso relacionamento com eles, mas reparam como os católicos se relacionam com o mundo...
E nisso, nós precisamos confessar, temos errado muito, não é mesmo?
Já fui argüido algumas vezes sobre a “podridão” da Igreja Católica. Termo que alguns evangélicos usam.
Doeu o coração quando ouvi essa palavra tão forte, mas isso não é motivo pra que eu me desespere em defender com unhas e dentes o catolicismo sem respeitar, primeiramente, os meus irmãos evangélicos.
Precisamos estar cientes de que muitos deles passam a vida inteira ouvindo coisas negativas sobre os católicos. E não é de um dia para o outro que a visão deles vai mudar...
Por isso, Marta, o nosso testemunho católico na vivência de um cristianismo puro e simples é fundamental. Só assim é que, aos poucos, alguns evangélicos que têm uma imagem tão negativa dos católicos poderão quebrar certas barreiras.
O meu relacionamento com os evangélicos tem sido muito dialógico...
Ouço a opinião deles e procuro encontrar um espaço pra expor a minha opinião.
Lembrando que diálogo verdadeiro não tem o objetivo de convencer uma ou outra parte.
A verdade surge, justamente, quando colocamos nossas vidas uma ao lado da outra, sem a pretensão de se achar melhor que o outro.
Bom, se um evangélico tentar te convencer que vc não é de Cristo, peça-o uma oportunidade pra dizer como vc se relaciona com Deus no dia-a-dia...
Me lembrei de um caso...
Em uma das viagens que fiz (BH-Viçosa), certa vez vim sentado ao lado de um menino muito legal.
Conversamos sobre de onde éramos e o que iríamos fazer em Viçosa.
Ele era cantor de BH e tava indo pra Viçosa fazer um show...
Eu era cantor de Sete Lagoas e tava indo pra Viçosa, pra depois pegar um ônibus pra Ubá, pra depois pegar um ônibus pra Divinésia, pra cantar apenas uma música lá.
Mas percebendo que ele era diferente, perguntei que tipo de música ele cantava...
Disse-me que era evangélico da Assembléia de Deus e que cantava músicas de Adoração. Perguntou se poderia cantar uma música pra mim e eu disse: “Claro!”...
Cantou lindamente, dentro do ônibus. Com certeza outras pessoas ouviram...
Eu disse que também cantava pra Deus, mas que era católico, e ele não pediu pra eu cantar!
Mas continuamos a nossa conversa e agora com o foco na pessoa de Jesus Cristo. Percebi claramente como ele se surpreendeu quando eu falava de forma apaixonada sobre meu relacionamento com Deus...
Tenho quase certeza de que alguns pré-conceitos foram quebrados naquela hora tanto da parte dele, como da minha...
Pude perceber que deixar de usar bermudas tinha um sentido muito profundo pra ele. E como eu julgava os assembleianos por causa do jeito de vestir deles!
Trocamos telefones, mas infelizmente nunca mais entramos em contato...
Mas felizmente nunca me esquecerei do crescimento que tive com a companhia daquele garoto.
Bom Marta, não sei se consegui me fazer entendido...
Mas é isto que eu tinha pra te dizer: Testemunhe o seu jeito de ser de Cristo!
Que Deus abençoe a sua busca pela vivência da unidade!
Um abraço carinhoso,
Renato

*Essa pergunta da Marta foi enviada para meu e-mail pessoal, no entanto, tive sua permissão para postar a minha resposta aqui no Blog. Penso que essa é mais uma oportunidade de tesmunhar um pouco do que penso e experimento a cerca da unidade...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Resposta à carta aberta

Olá Renato. Peço perdão pela demora em responder. Tenho motivos para isso, ainda que sejam incompletos diante da urgência que esse assunto tem em nossa vida cristã. Bom, quero antes dizer dois motivos pelos quais adiei essa carta-aberta endereçada a você e nossos leitores.

Primeiramente, tive medo. Isso mesmo: medo. Não gostaria de usar os mesmos artifícios retóricos que os opositores da unidade utilizaram após a divulgação da noticia sobre a visão eclesiástica da Igreja Católica. Aliás, eles nunca estiveram tão satisfeitos como atualmente. Por isso, tive receio em usar dessa carta para defender meu lado e, portanto, ser de alguma forma injusto.

Em segundo lugar, fiquei muito triste pela posição oficial do Vaticano. Esperava mais. Pensava eu que nosso caminhar na Unidade seria suficiente para que a cúria romana nos enxergasse em pé de igualdade com os católicos. Engano meu.

Isso é normal. Expectativas mal cumpridas nos trazem decepções. Por alguns dias pensei em deixar essa de ecumenismo de lado. Pensei: “o que adianta eu reconhecê-los como irmãos sendo que somos considerados APENAS irmãos separados em comunidades eclesiais”?

E mais uma vez o amor vence o medo. A esperança subverte as expectativas. Se o Vaticano determinar que novamente somos hereges [1], minha luta pela unidade permanecerá. Ficarei nervoso, pensarei em desistir, discutirei com você, porém, no fim, a voz que ecoa no meu coração continuará a dizer: “assim como Eu e o Pai somos um, meu desejo é que vocês sejam um”.

Ai, como é difícil! Enquanto penso em elaborar esse parágrafo, vou me armando, buscando justificativas teológicas para provar que somos igualmente Igreja. Mas eu desisto. Quero que Cristo em mim e em nós, protestantes, mostre o contrário, assim como um dia deixamos de ser hereges, talvez, um dia, seremos considerados igualmente Igreja.

Para terminar, quero dizer que estou disposto a ser um com vocês, custe o que custar. Quando eu ver algum protestante falando mal de vocês, vou continuar a defender vocês. Que nosso amor mútuo constranja aqueles que opõem nossa unidade. Por isso amigo, não se preocupe: continuaremos juntos nessa caminhada, até que Ele venha.

Um abraço sincero,

Gustavo Bianch

[1] Até o concílio Vaticano II, o protestantismo era considerado heresia.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Carta aberta ao amigo Gustavo...

Fiote, meu grande amigo!
Sei o quanto mexeu com vc o documento “RESPOSTAS A QUESTÕES RELATIVAS A ALGUNS ASPECTOS DA DOUTRINA SOBRE A IGREJA”, divulgado essa semana pelo Vaticano.
Quero dizer que compartilho a sua angustia. Não é fácil tomar conhecimento de um texto que antes mesmo de ser aberto ao público já começava a ser motivo de mais divisões entre cristãos.
Dói...
Enquanto católico, confesso que não tive nenhuma surpresa ao ler o documento. De fato, trata-se apenas de um esclarecimento da doutrina católica, “nada mais”!
Da forma como alguns jornalistas divulgaram parecia-me que o VATICANO II ia ser lançado na fogueira, mas não aconteceu nada disso... Graças a Deus!
Eu tenho certeza que, pelo sentimento no meu coração e imagino que vc também o sinta, a nossa unidade está muito além de uma unicidade institucional.
Nós sabemos bem que as doutrinas não têm a mesma eficiência que o próprio Deus tem para comunicar a sua mensagem e graça a nós...
Sinceramente, não acredito que a intenção do Papa Bento XVI seja de jogar um balde de água fria em nós que buscamos viver o verdadeiro ecumenismo.
Pelo contrário, acho que quem busca viver o verdadeiro ecumenismo entende que a unidade não vem de cima, não é mesmo?
Vc bem sabe que não concordo com algumas declarações que a instituição IPB faz sobre a doutrina católica, e da mesma forma vc não concorda com algumas declarações que a instituição ICAR faz sobre os outros cristãos e suas doutrinas, mas por isso vamos parar?
Eu creio que não!
Os passos que demos rumo à santidade pela Graça presente em nossos diálogos, ninguém pode apagar!
O que temos crescido e amadurecido na fé com nossa ajuda mútua, ninguém pode nos roubar!
O que mais desejo é que tanto as lideranças católicas quanto as evangélicas tenham a oportunidade de experimentar um pouco do que temos vivido...
Não sei o que poderia acontecer...
Mas acho que se as lideranças se entendessem mais, talvez não tivéssemos tantos motivos para nos angustiar no que diz respeito à unidade dos cristãos.

Contudo, acho que o mais importante é não nos esquecermos de que antes da UNIDADE ser um desejo do nosso coração, ela é um desejo muito maior do próprio Cristo, cabeça do Corpo Mistíco.
Ainda que todos os homens do mundo desistissem do ecumenismo, Jesus jamais desistiria de ter sua Igreja Una, Santa e Católica (Universal).
É isto que me conforta: viver o ecumenismo é viver a Salvação.
Preciso de vc ao meu lado amigo, membro tão importante do Corpo...
Deus nos chama a caminhar juntos nessa pequena via, nos convida a ser amor no coração da Igreja...
Para tanto, Ele há de nos instruir e capacitar!
Um forte e silencioso abraço,
Rê

domingo, 17 de junho de 2007

Nossa hora, nossa vez

Os primeiros protestantes que desembarcaram no Brasil chegaram no final da primeira metade do séc XIX. O monopólio eclesiástico do catolicismo chegava ao fim. Isso significava um grande desafio: era o momento de lidarem com a diversidade cristã. Apesar de a constituição de 1824 prever a liberdade religiosa, os cultos protestantes só poderiam ser realizados nas casas. Isso era um pequeno indício de que os mesmos não estavam preparados para o que estava pra acontecer.

De início, a relação entre evangélicos e católicos foi bastante complicada. O preconceito era amplamente compartilhado. Ambos se viam como únicos detentores da verdade. Os católicos viam os evangélicos fora do Corpo de Cristo, enquanto os protestantes os consideravam a parte podre da Verdadeira e Única Igreja de Cristo. Enfim, o que imperava era uma relação de ódio, desconhecimento e profunda exclusão.

Com a novidade do ecumenismo, tanto por parte do Vaticano quanto do CMI - Conselho Mundial de Igrejas -, anuncia-se uma nova era na História do Cristianismo no Brasil: o período de reconciliação. Contudo, a proposta encontrou contínua resistência, apesar dos muitos adeptos, trazendo junto com a cordialidade mais confusão.

No decorrer desses anos, podemos dizer que o ódio se atenuou, graças ao Bom Deus! Poucas ofensas vemos atualmente. Nenhuma provocação séria, muito menos agressão física, como outrora era uma coisa quase natural. Podemos dizer que evoluímos - confesso que detesto esse termo, mas no momento o acho coerente.

Deixamos de ser odiosos para sermos indiferentes. Ninguém xinga ou ofende o outro. Os apelidos de mau gosto parecem ter sido esquecidos. As discussões maliciosas de pastores versus padres de alguma forma caíram no desuso. Agora a fórmula é diferente: você no seu cantinho e eu aqui, no meu.


Ninguém atrapalha o outro, mas também não ajuda. Não se ofende, mas não elogia. Precisamos romper com esse momento para entrar num outro: o da verdadeira aproximação. Menos de um relacionamento litúrgico ou institucional, sobretudo, de laços que perpassam nossas diferenças e amplie nossa capacidade mútua de proclamar Cristo, nosso Único Senhor e Rei.

Esta é a nossa hora e a nossa vez. Precisamos nos levantar diante de uma geração de cristãos acostumados com o isolamento. Convivemos perto do outro sem notá-lo. Sabemos de sua existência, porém, sem conhecê-lo. Todavia, Cristo nos chama para dar um passo além. Esse passo, creio eu, é uma aproximação...

Espere aí, meu querido leitor, tem uma coisa errada! Estou desde 25/05 tentando escrever esse texto e nunca acabo. Uma conclusão que já esquentou minha cabeça. Não consigui completar esse parágrafo de jeito nenhum. Enquanto isso, o Renato sempre me lembrava de terminar o texto. E eu, nada! Hoje percebo o porquê.

Ora, esta conclusão está inacabada. Sabemos o que fazer (nos aproximar mais, contribuir com o outro, reconhecer e etc...), mas não sabemos como. A finalidade é clara em minha mente, até sei por onde começar, porém, o desenvolver dessa nova etapa é algo novo pra mim e, acredito, pra todos nós. Resta-nos orar, entender, ouvir o que Deus tem para nós, nesse grande desafio da Unidade entre os cristãos. Estar aberto, sim, achei a expressão que queria, estar aberto para o desenvolver dessa unidade é a verdadeira tônica, da nossa hora e nossa vez.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Carta aos amigos da ABU...

“Vede: como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãos”. (Sl 133, 1)

Amigos da ABU, a paz!
Espero que esteja tudo bem com vcs...
Alguns sabem do meu grande desejo de crescer em unidade com os evangélicos. Gostaria de esclarecer que quando me refiro à unidade dos cristãos ou ecumenismo estou falando de coisas muito simples como essa carta. Sinceramente, o meu maior desejo é que vcs sejam autênticos cristãos assim como eu tenho tentado ser. Não tenho intenção de juntar todo mundo numa panela com um discurso de “paz e amor”. Não é esse o meu entendimento de unidade dos cristãos...
Na tentativa de compartilhar experiências e compreender melhor esse chamado a sermos um, é que estamos propondo uma programação na “Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos”. Essa semana que antecede o dia de Pentecostes é vivida em algumas Igrejas, dentre elas a Igreja Católica.
Penso que a divisão dos cristãos na época de Lutero foi um motivo de conversão, mas hoje, vejo a divisão como um motivo de escândalo. Digo isso porque nos acostumamos com ela...
Não questionamos o porquê de estarmos divididos. Não estou falando das diversas denominações cristãs ou formas diferentes de seguir a Jesus, estou falando do abismo que criamos entre nossas almas. Nos acostumamos com tantos pré-conceitos e pós-conceitos errados.
Há um tempo atrás, quando perguntei para o Daniel se ele gostaria de ser meu amigo, tive muito medo, não sabia o que me esperava. Eu ainda não sabia que o mesmo Jesus que ele seguia era o que eu buscava seguir também. Parece bobagem, mas realmente não sentia que o Jesus dos evangélicos era o mesmo dos católicos e acho que tem um tanto de gente que pensa assim.
Acho que tem muitos católicos que respeitam evangélicos e vice-versa, mas poucos são os que acreditam um no outro, poucos são realmente irmãos.
“Mas aonde vc quer chegar com esse chamado de unidade?” alguém pode me perguntar...
Respondo que não sei... O que sei é que hoje sou mais livre e isso é muito bom!
É muito bom não precisar fingir ser outra pessoa quando estou ao lado de um evangélico, é muito bom não ter a necessidade de tentar converte-lo para o catolicismo, é muito bom acreditar que ele busca a Deus tanto quanto eu , e é muito bom poder incentivar e ser incentivado por evangélicos a não desistir de seguir os passos de Jesus.
Penso que esse seja um grande motivo em favor da unidade. Sem contar o testemunho que damos quando nos amamos e vivemos a palavra de Jesus: “Amai-vos uns aos outros, nisso reconhecerão que sois meus discípulos”.
Bom, já falei demais...
Gostaria de contar com a presença de vcs nas atividades que faremos na intenção de crescermos em unidade:

- Quarta-feira, dia 23 de Maio às 20:00h no PVB 102, UFV:
Um debate com o tema “Diálogo ecumênico e o chamado à unidade dos cristãos”.
Eu e o Gustavo pretendemos moderar a discussão.
Faremos uma rápida apresentação da unidade simples que temos buscado viver e abriremos para uma reflexão conjunta.
Levarei alguns materiais (livros e textos) para emprestar aos interessados.

- Quinta-feira, dia 24 de Maio às 13:00h no PVB 101, UFV:
Um estudo bíblico dirigido por vcs...

- Sexta-feira, dia 25 de Maio às 20:00h no CEE, sala 10, UFV:
Uma palestra conjunta com o tema: “Unidade dos Cristãos: avanços e desafios”.
Os palestrantes serão o Pastor Elben César e o Padre Wandinho, duas pessoas que me incentivam muito a continuar na luta pela unidade.

- Sábado, dia 26 de Maio às 21:00h na minha casa:
Confraternização e também um momento de oração...

Conto com a presença de vcs, sinceramente!
Quero muito ouvir as opiniões e tentar contribuir com as minhas experiências...
Oro pra que o Senhor nos instrua na Verdade, e nada mais...
Agradeço ao Pai pela missão de vcs e pelo carinho que tenho recebido da ABU.
Nunca me esquecerei do Missão 2006, foi um momento muito especial para minha fé. E também uma oportunidade de confirmar o meu chamado de viver a unidade com vcs...
Obrigado pela atenção,
Um abraço bem forte!
Renato

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Mãos que evangelizam

Caros amigos, mês passado experimentei uma unidade que tem me incomodado e me transformado até hoje, ela mexeu comigo... Na celebração dos 25 anos de sacerdócio dos fundadores da comunidade católica Aliança de Misericórdia em São Paulo (Padres Antonello e Henrique), experimentei o impacto que a divisão da igreja pode nos proporcionar.

Lá também estava um grande amigo dos padres, porém era alguém que me chamou muita a atenção, o Pastor Silvestre da Igreja Batista. Durante a celebração da missa, em um determinado momento, o Pastor foi convidado a dizer algo para os padres, e aí... pude ouvir e sentir palavras que ficaram anotadas no papel, mas tão fortes e verdadeiras que ficaram marcadas no meu mais profundo ser. Tudo começou com a humildade de se ajoelhar e pedir perdão, todos nós, uns aos outros pela nossa perseguição religiosa que muitas vezes nos afasta do Pai, nos cega, corrompe nossas moradas.

Experimentamos nessa mesma celebração em sinal de humildade e servidão, não de escravidão, o ato de beijar a palma das mãos daqueles ao nosso redor para que aquelas mãos pudessem ser enviadas para a evangelização. Lembrei de todas as histórias de cumplicidade e união relatadas pelos meus amigos missionários da comunidade da Aliança entre os 3 pastores de homens, senti que a face da minha mão era a confirmação do meu sim que deve ser diário a cada irmão, independente da cor ou do formato de sua mão, nunca deixando de serem mãos usadas em prol da evangelização.

Pude ouvir a declaração de unidade e amizade entre os três pastores que arrebanham diferentes raças, entretanto ovelhas, precisando da orientação e da presença do Pastor de todos os pastores. E frente a diferença de doutrinas pude me sentir consoldado quando o pastor nos disse: "Não sabemos o que o Espírito Santo vai fazer com tudo isso, mas sabemos que Jesus Cristo está no nosso meio".

domingo, 29 de abril de 2007

O que é verdadeira comunhão


Após um longo “silêncio”, volto a escrever, pensando em cada um de vocês. Peço ao Espírito Santo que me oriente a ponto de colocar com clareza aquilo que estou sentindo.

“A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma”. (At 4, 32)

“Pois assim como num só corpo temos muitos membros, de modo análogo, nós somos muitos e formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros. Tendo porém dons diferentes, SEGUNDO A GRAÇA QUE NOS É DADA”. (Rm 12, 4a. 5-6a)

Um questionamento é constante em mim... “Senhor, o que é ser um?” E como posso ser um com o que tenho? Aprendi uma coisa interessante durante esse tempo:
Muitas vezes abraçamos o “utópico” da unidade e perdemos oportunidades concretas de sermos um, entendendo que Deus dá uma graça particular, através das nossas diferenças e da situação em que vivemos, para sermos então “uma só alma”.
Como vivi isso no concreto?
Nesse ano me mudei para São Paulo. Um novo chamado, ser Aliança de Misericórdia.
Novos desafios, o sentir Deus moldando e formando, mas com algumas dores: como ser um com aqueles que ficaram? Como estar presente nos amigos, na Universidade, na família, se meus antigos meios de me comunicar são escassos? “Tô eu aqui, querendo viver ‘essa tal de unidade’, mas nem entrar no blog que fala de unidade eu consigo!!!” Um mês sem dar notícias ao meu melhor amigo! Um milhão e meio de coisas acontecendo e a incapacidade de partilhar...

Dores e questionamentos que só se transformaram quando fui entendendo uma coisa – a medida que acolhemos a vontade de Deus no momento presente, damos também a oportunidade de Deus confiar em nós , para que Ele aja gerando unidade na Sua Igreja. A graça que me foi dada era a de tentar me comunicar de um outro jeito...
Não ter um computador virou conversão; a vida nova, nova forma de amar.

Um cardeal católico do Vietnã, Sr. Van Thuan, passou 13 anos preso, sem contato algum além de soldados comunistas e sem oportunidades de se encontrar como Igreja. Ele descreve esse tempo como um dos mais fecundos de sua vida, escrevendo livros e aprendendo: “Escolho a Deus e não às obras de Deus”.E nesse abandono sua missão foi ficando mais clara. Seus valores ainda mais fortes.

Se Deus nos chama a fazer comunhão, aproveitemos cada instante! Da maneira que temos! Olhando para Deus e não só para o que posso ou não fazer naquele momento...
Na rua, nas conversas, em oração, sou capaz de enxergar que nossa vida é OPORTUNIDADE antes de ser empecilho, e que Ele nos possibilita a comunhão em tudo e todos, até nos imprevistos!
A falta dos e-mails, do tempo na Internet me fez mais próxima do Rê, do André, do Gustavo e de cada um, de uma outra forma: pelos nossos desejos, pensamentos e orações. Talvez nunca mais consiga tê-los próximos como os sinto hoje. Não por palavras, mas pelo coração voltado para o mesmo ideal. Sejam um! Foi o último apelo de Cristo. Nesse pulsar sinto vocês comigo, e o próprio Jesus tecendo as nossas vidas para uma comunhão onde antes só se via pontos isolados, ou um pequeno “denominador comum”. Não é isso!
Cada vez que coloco de lado uma idéia só minha,
Cada vez que vivo o momento presente, com amor,
desejando fazer a vontade de Deus;
Cada vez que me torno desejo (sede!) antes de ser “grupo” e ação,
Seja qual for a situação, ou lugar...
Abro-me à verdadeira comunhão.
E sou comunhão, em Jesus.

E que seja Ele a nos dar passos largos e olhar atentos, para viver essa nossa vida, com unidade e intensamente!


segunda-feira, 23 de abril de 2007

A incapacidade das palavras...

Sonhar é bom?
Você já parou pra pensar que a palavra sonho pode significar coisas distintas pra você e para mim?

E quando você se refere a sonho usa de toda sua experiência e, por eu ter tido muitos sonhos ruins, posso associar a palavra sonho com coisas negativas, diferentemente de você?

Esse é um exemplo bastante simplório, mas diz muito quando pensamos na incapacidade das palavras. Elas, muitas vezes, não são o que parecem. As palavras são usadas pelos homens na tentativa de expressar uma interpretação da realidade vivenciada por eles mesmos ou por outras pessoas.

Quando outra pessoa vive uma experiência e me fala sobre isso, de fato, ela já está interpretando a realidade vivenciada e se comunica através das palavras. Eu, com as minhas experiências, "entendo" essas palavras e faço a minha interpretação sobre a realidade do outro que me foi apresentada.

Quando conto pra outra pessoa sobre essa realidade vivenciada pela primeira, uso novamente de palavras que pra mim significam algo para tentar expressar a minha interpretação do fato que me foi apresentado.

Estou dizendo isso pra mostrar com que facilidade um sentido pode ser deturpado ao longo das interpretações que passam de pessoas pra pessoas. Por isso é tão importante o exercício de contextualização de determinado fato para que eu possa fazer alguma análise dele.

O que isso tem a ver com a unidade dos cristãos?

Tudo!
Estou recheado de pré-conceitos quando me aproximo de outros cristãos. Seja pelo fato de um dia alguém ter me contado uma história relacionada a um cristão de outra denominação ou porque eu mesmo ouvi outros cristãos dizendo algumas coisas que me feriram. E eu não me preocupei em saber do contexto daquelas palavras, nem mesmo quem eram aqueles cristãos tão “distintos” de mim.

Não sou defensor da teoria da relativização total das palavras e nem afirmo que está nisso a solução de todos os nossos problemas. Mas posso atestar o quanto eu acreditei em palavras e percebi que, muitas vezes, elas simplesmente não diziam quase nada da verdade que eu pensava ter encontrado.

A melhor opção de se chegar à verdade é procurar pelo que se esconde por detrás das palavras. É buscar sentido nas palavras. É transcender as formas “duras” das palavras. É olhar para textos sobre a teologia da libertação ou pentecostalismo e enxergar nos dois uma busca pela verdade, mesmo que um ou ambos não me agradem.

Não sei se consegui expressar o que sinto.
Afinal... tenho consciência da incapacidade das palavras!

Que o Senhor nos instrua no amor!
Penso que assim conseguiremos chegar à verdade do outro colocando as palavras a serviço da unidade dos cristãos. Diremos não a nossa vontade de interpretar os fatos sem nos preocuparmos com o contexto.

“O texto sem contexto pode ser um pretexto”.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

ICAR e o Ecumenismo...

É triste constatar certa ignorância por parte dos católicos no que diz respeito a teologia ecumênica. Alguns chegam a pensar que não existe uma unidade na Igreja católica quanto à concepção de ecumenismo. Isso não é verdade!

No concílio Vaticano II, 1964, foi escrito um decreto intitulado “UNITATIS REDINTEGRATIO”, cujo objetivo é orientar os cristãos na causa ecumênica. A falta de unidade na luta pela unidade se dá, muitas vezes, pelo desconhecimento das orientações vinda da Igreja de Roma.

Se olharmos nos parágrafos 817 a 822 do Catecismo da Igreja Católica perceberemos uma posição bastante consolidada com relação às feridas da unidade e o papel do cristão no aperfeiçoamento dessa a partir da Graça de Deus.

Vejo que algumas denominações cristãs evangélicas têm dificuldade de compreender o termo ecumenismo, por não tê-lo como um tema comum das suas doutrinas, mas quero frisar que um católico comprometido deve estar ciente das orientações para uma ação em prol da unidade cristã. A Igreja católica tem uma explanação teológica ecumênica bastante desenvolvida.

Segue alguns trechos do catecismo da ICAR... (Par. 821, 822)

Para responder adequadamente ao apelo pela unidade, feito por Jesus, exigem-se:

- Uma renovação permanente da Igreja em uma fidelidade maior à sua vocação. Esta renovação é a mola do movimento rumo à unidade;
- A conversão do coração, com vistas a viver mais puramente segundo o Evangelho, pois é a infidelidade dos membros ao dom de Cristo que causa as divisões;
- A oração em comum, pois a conversão do coração e a santidade de vida, juntamente com as preces particulares e públicas pela unidade dos cristãos, devem ser consideradas a alma de todo o movimento ecumênico e, com razão, podem ser chamadas de ecumenismo espiritual.
- O conhecimento fraterno e recíproco;
- A formação ecumênica dos fiéis e especialmente dos presbíteros;
- O diálogo entre os teólogos e os encontros entre os cristãos de diferentes Igrejas e comunidades;
- A colaboração entre cristãos nos diversos campos do serviço aos homens.

A preocupação de realizar a união diz respeito à Igreja inteira, fiéis e pastores. Mas é preciso também ter consciência de que este projeto sagrado, a reconciliação de todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e as capacidades humanas. Por isso depositamos toda a nossa esperança na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai por nós e no poder do Espírito Santo.

Apesar desse conhecimento adquirido a cerca da busca pela unidade, penso que nós, cristãos jovens, temos um papel importantíssimo no desenrolar dessa história. Podemos acrescentar muito na teologia ecumênica com a tentativa autêntica de viver a unidade...
Que o Senhor nos abençoe e nos conduza nessa missão!
.
*ICAR - Igreja Católica Apostólica Romana

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Qual é o seu time?

Hoje em dia estamos acostumados a competir, a fazer parte de algum grupo, de nos identicarmos e nos sentirmos seguros perto de pessoas que nos acolham, que nos instruam. Porém muitas vezes nos enquadramos em grupos (Católicos ou Protestates) e não nos abrimos ao novo. Nos atemos, como em torcidas por números, estatísticas que nos orientam para uma vitória fictícia, enganadora. Qual grupo seria melhor? Os Católicos que agrupam 74% da população ou os Protestantes, com 16% das declarações religiosas? Muitos podem dizer que os Católicos são superiores, arrebanham mais pessoas, porém a queda de intenções de voto enfraquecem essa alternativa!

Enquanto isso, nas estatísticas obscuras ninguém repara que o grupo tão temido vem crescendo, o dos Ateus declarados ou sem religião (10%). Mas se temos a intenção de estarmos em grupos tão fortalecidos, por que não juntar forças e combater o que causa esse grupo tão ameaçador, tão demoníaco! Talvez devido ao nosso orgulho, nossa cabeça tão pequena, nossos sonhos tão invisíveis. Quantos amigos engrossam essa fatia de 10% e o que tenho feito? Muitas vezes observado a força das igrejas, as discussões entre os cristãos e comparado padres e pastores querendo encontrar supostas superioridades da minha igreja.

Já que gostamos de estatísticas, devemos contabilizar então quantos se afastam, quantos se perdem nas drogas e demais vícios; devemos contabilizar também o tempo perdido em tantas controvérsias entre cristãos. Podemos guardar um tempo também para algo tão mais importante: a Oração. Quantas vezes deixei de rezar e amadurecer minhas idéias tão fracas para filosofar nas causas e consequencias desses números tão malucos.

Obrigado Senhor por nos mostrar números, algo palpável como o Teu sangue derramado por cada um de nós. Por nós Católicos, Protestantes ou Ateus, queremos te pedir a união e que nós Cristãos nos incomodemos com a vitória certa, porém não idealizada por cada um de nós. Que a totalidade não nos assuste, pois é por ela que descobrimos que somos pequenos, infinitesimais e ao mesmo tempo únicos para Ti.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Uma triste poesia

A arrogância me desanima.
A intolerância me desatina.

A dúvida perpassa minha mente.

O desgosto surge de repente.

Pergunto, por que tudo isso?
Onde inventaram um Cristo dividido?
Por que tanto exclusivismo?

Pra quê tanto 'excluivismo'?

Diversidade que me desafia.

Unidade que me ilumina
Humildade, esta me inspira.
Amizade, me re-anima.

Um tapa é dado

Um rosto é virado
E o amor, quem sabe,
talvez,
um dia,

entre nós cristãos,
novamente,

compartilhado.


obs.: Um sentimento expresso por ler na internet ofessas entre cristãos de diferentes denominações.

obs1.: Postado em meu blog quinta-feira, 14 de dezembro, 2006: http://ccseu.blogspotcom

sexta-feira, 16 de março de 2007

A Unidade como fruto e caminho...

“A unidade é fruto da intimidade com Deus...” já dizia Sto Inácio de Antioquia, considerado pela Igreja Católica o doutor da unidade.

As vezes questiono qual o meu verdadeiro chamado enquanto um cristão que luta pela unidade da Igreja de Cristo. Será que meu dever é divulgar o ecumenismo defendendo-o com unhas e dentes? Hoje sinto que isso não é a essência do meu chamado...

João Paulo II em sua encíclica “UT UNUM SINT” disse que o primeiro passo para se viver a unidade é a conversão sincera do coração a Cristo. Não promovo o ecumenismo pelo simples fato de eu, católico, querer estar com irmãos evangélicos. Promovo o ecumenismo quando, de fato, acredito que ao estar com os irmãos evangélicos me aproximo mais de Deus. É essa convicção que incomoda e profetiza o amor nos dias atuais. As pessoas não devem enxergar em mim um Renato ecumênico, mas um Renato que busca a Deus mais que tudo e acredita que seu caminho de santidade passa pela unidade dos cristãos.

A unidade dos cristãos não é um fim! A unidade dos cristãos é um fruto... Entendo que ecumenismo, ou seja, a abertura para o diálogo e acolhimento de cristãos de outras denominações favorece à minha intimidade com o Pai e favorece também a intimidade dos outros cristãos com o Pai.

A Trindade Santa é o exemplo maior de Unidade para os cristãos. Arquétipo maior de união e amor não há! E eu só expressarei o amor dessa Trindade se eu estiver, também, unido à ela. Mas como unir-me a ela?

Se observarmos os versículos do capítulo 15 do evangelho de João encontraremos Jesus se auto denominando: “Eu sou a verdadeira videira” e assim nos convida, como bons ramos, a dar frutos estando em permanência com Ele. “Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto”, “se observais meus mandamentos permanecereis no meu amor”, “este é meu mandamento: amai-vos uns aos outros”.

Compreendo com essas palavras de Jesus que a unidade dos cristãos é fruto desses ramos que se comprometem a estar unidos à verdadeira videira. Compreendo também que buscar a unidade através do ecumenismo (amor entre os cristãos) é uma porta para que eu me torne íntimo de Cristo e unido à Trindade.

Dessa forma, o amor que eu dispenso aos outros cristãos é ao mesmo tempo fruto da minha união com a Trindade e caminho para minha união com Ela.

Santa complexidade!
Plena simplicidade!

sexta-feira, 9 de março de 2007

Aquarela

No dia de hoje o Criador quer pintar uma paisagem, ela ilustra um lugar de muita paz e harmonia, porém em sua aquarela existem apenas cores primárias, as quais não conseguem criar por si só a intensidade de cores almejada pelo grande Pintor.

A solução encontrada para tão feito é então a união dessas cores, mas a princípio elas não querem se misturar, pois assim perderiam as suas propriedades, seu valor intrínseco e sua própria textura e brilho, acreditavam perder o seu valor! Mas frente à tamanha habilidade do Pintor as cores passam, uma a uma, a abrir mão de suas próprias vontades! O amarelo que se julgava ser mais intenso que o vermelho confia e se lança às pinceladas, se unindo à outra cor, formando o tão atraente laranja.

No final do trabalho, na última pincelada, o maior Pintor de todos os tempos suspira e agradece a cada uma das cores por terem sido tão humildes, por deixarem ser usadas para uma causa tão nobre, tão única! As cores já desfiguradas de si mesmas não se atem ao seu próprio brilho, mas louvam ao Pintor por tamanha beleza retratada em traços tão precisos!

Que possamos nos doar como as cores, no intuito de construir algo novo, nunca visto antes, com todas as diversidades de cores e dons, carismas e brilhos! Que nos entreguemos ao ideal maior, o da evangelização. Seja ele dado pelos traços de um Pintor ou por círculos de amigos! Misturar as cores não nos representa perder as propriedades, mas ganhar novas atribuições, novos tons. Que o Senhor nos instrua na construção de algo maior, que nos confie mais cores, mais pessoas para que o reino possa ser visto pela maior multiplicidade de dons individuais, que no final possamos ser um em todos!

quinta-feira, 8 de março de 2007

Pecado Original X Unidade dos Cristãos

A verdade é que carregamos muito mais marcas do pecado original do que imaginamos...

Neste momento tento fazer um paralelo entre o pecado original, ou seja, o desejo humano de ser como deuses, versados no bem e no mal e a falta de unidade dos cristãos. Faz sentido esse paralelo? Existe alguma relação entre eles?

Não é difícil constatar que a maioria das divergências existentes, hoje, entre os cristãos não se deve ao fato de uma das partes sair em defesa da essência do Evangelho. Percebemos, lamentavelmente, que existe uma busca pela defesa de idéias próprias em detrimento do amor proposto por Jesus. E de onde vem essa vontade de defender nossas próprias idéias?

De fato o orgulho e a vontade de ser como deuses estão inscritos em nossos corações. Na queda foi-se nossa confiança plena na providência Divina. Hoje não queremos perder. Queremos ser conhecedores do bem e do mal. Queremos estar por cima. Queremos controlar o que está em nossa volta. Não queremos depender de ninguém. Queremos ser donos da verdade. Queremos que todos sejam iguais a nós!

Como é triste e enganosa a idéia de que serei feliz à medida que todos passarem a pensar e a agir como eu. Mas não é só parar pra pensar um pouco e lembrar que Deus cria cada ser humano de uma forma completamente única? Então não viveremos também de uma forma completamente única?

Não pretendo com esse argumento relativizar os ensinamentos de Cristo. Não quero dizer que por sermos únicos devamos ter, também, uma idéia própria a cerca de Jesus e viver o cristianismo do jeito que acharmos melhor. Não é isso! Para tanto me recorro a uma palavra simples, mas que expressa o que todo cristão, sem exceção, precisa viver ou pelos menos buscar viver com toda sua força: amor.

O amor é capaz de quebrar esse nosso desejo de ser Deus! O amor nos coloca em nosso devido lugar de criatura. O amor nos mostra que nos realizamos quando aceitamos a vocação de sermos santos e entendemos que mesmo diferentes somos filhos do mesmo Pai. O amor nos ajuda a olhar para o estranho como uma possibilidade de conhecer mais do nosso insondável Criador.

Então não mais precisaremos impor nossas idéias e opiniões. O que vale mais é o amor! Vale mais o próprio Deus! Vale mais Jesus e seu sacrifício salvífico! Vale mais a liberdade que experimentamos quando íntimos do Senhor. Vale mais o entendimento do chamado a carregar a cruz, dia após dia, e seguir Jesus. Nada será capaz de mudar a nossa opinião sobre nós mesmos quando Deus mesmo nos revelar quem somos.

Conversão e paciência é o que precisamos! Deus nos revela quem somos e nos instrui no caminho para vivermos o sentido de própria vida. Instrui-nos também pra vivermos o sentido da dor e da morte. Não precisamos nos agarrar em nossos sonhos e ideais. Não precisamos nos prender aos nossos modos de ver o mundo. Não precisamos zelar exageradamente pela nossa existência e temer a nossa dependência dos outros. Deus cuida de nós! Se Ele cuida das aves do céus e das flores do campo, quanto mais cuidará de nós que somos seus filhos, criados à sua imagem e semelhança.

Não sejamos mais uma vez enganados pelo diabo que nos diz que precisamos impor nosso jeito de viver, inclusive nosso jeito de viver o cristianismo. Ele fomenta nossa intolerância. Nos ensina a julgar o próximo. Nos incentiva a sermos melhores, melhores, melhores, não importando se pra isso tenhamos de passar por cima de outros cristãos.

Não Diabo! Você não vai mais nos enganar! Não cairemos nas suas garras, pois fomos comprados pelo precioso sangue de Cristo e libertos das armadilhas do inferno. Já demos o nosso sim para a misericórdia de Deus e pela Graça não voltaremos a traz! Não comeremos novamente o fruto proibido. Seremos UM para glória de Deus. Novo céu e nova terra virão cheios de paz, muita paz...

sábado, 3 de março de 2007

Entre o sonho e o medo

A um tempo atrás estava bastante empolgado quando assunto era ecumenismo. Não que hoje eu não esteja. Porém, antes parecia algo ingênuo, como um sonho sem reflexão. Imaginava dezenas de eventos, diálogos e discussões. Pensava mil e uma atividades entre irmãos. Enfim, estava sempre pensando uma forma de fazer alguma coisa em prol da unidade entre os cristãos.

O interessante é lembrar que a cada novidade estava presente algo que desmotivava. Como se perto do sonho estivesse um pesadelo bem próximo. Lembro que por vários momentos pensei em desistir. Principalmente quando vinha à minha mente a realidade de nossas diferenças e as possíveis oposições que eu poderia encontrar.

Mas para cada agente desmotivador aparecia uma esperança. E o ciclo recomeça: ânimo, desânimo e uma nova motivação. Não sei até quando vai ser assim. Tem pouco tempo que estou nesse barco. Tudo é novo. Novidades nos trazem boas expectativas, mas ao mesmo tempo, receios e mais receios.

Quero ser motivado por aquilo que me chamou a atenção no início: a amizade. Chegaram perto de mim pessoas que queria ser meus amigos. E para isso eles não perguntaram sobre o que eu pensava sobre a intercessão dos santos. Aproximaram de mim com um interesse único: crescermos juntos e caminharmos firmes na Esperança que fomos chamados.

Mas é difícil. A incompreenção dos outros gera julgamentos precipitados. Com isso somos trucidados e entristecidos. E o que era óbvio - a amizade, por exemplo - vai sendo relativizada. Aí vem pensamentos como: "posso ser amigos deles sem caminhar com eles". Ou: "não precisa ser ecumênico pra ter amigos católicos".

Ora, isso não faz sentido. É impossível eu ser amigo de um cristão e não falar de Cristo. Isso é incoerência. Digo mais, é diabólico. Não quero isso pra mim. Se sou tão enriquecido próximo dos meus amigos católicos, por que parar? Por que voltar à superficialidade. Não! Eu digo não a esses pensamentos.

Decido enfrentar meu medo. Não sozinho, pois tenho Deus que habita em mim, através do Espírito Santo. E este é o vínculo da paz, da unidade. Aquele que me conforta diante de tanta confusão. Tenho também amigos, que me motivam, que oram (ou rezam) por mim.

E concluo: entrei num caminho sem volta. Pela Graça de Deus, vou continuar. Com medo ou sem medo, fico com a Esperança da minha vocação. Com oposição ou não, fico com a força do Espírito; entre as diferenças e as semelhanças, fico com a última. Que no caminho da Graça olhemos para frente, despojando nossos receios: rumo à vontade do Pai.

Um abraço, com muito carinho.