segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sábado, 19 de julho de 2008
Aprendendo sobre o que mais importa...
Sinto muitas saudades... sei que tenho estado ausente nas postagens do blog e mais ainda em um contato direto com vocês...
Mas da mesma forma, sinto-me unida a cada um, através do nosso desejo comum - realizar com a vida o desejo de Jesus: "que todos sejam um". O que tenho vivido é a experiência de que algo realmente importa mais do que as nossas diferenças teológicas, a nossa maneira de ir à Igreja, o "nome" que nos damos ...
A Comunidade está realizando, junto com o Pr. Silvestre , o MIR: "Mutirão Internacional Restaura-me" - durante dez dias, jovens de vários estados e países, alunos de diversos cursos e universidades, católicos, evangélicos, profissionais de várias áreas, estarão juntos, no combate à miséria em diferentes frentes de trabalho.
Aqui em São Paulo muitos vivem em situação de extrema pobreza... dos dias 23 de julho ao dia 03 de agosto, estaremos em 2 favelas: Taipas e Moinho - num movimento para envolver as crianças, reformar barracos, fazer limpeza nas casas e nas ruas, um mutirão de saúde e de conscientização de higiene e atendimento médico e odontológico... Faremos uma campanha de doação de sangue, conscientizando sobre o valor da vida e ressaltando que a união entre pessoas de diferentes crenças é para “que todos tenham vida, e vida em abundância”.
Mais do que tanto trabalho, o que me toca é que diante da necessidade do irmão que sofre, tudo o que é "diferença", fica em segundo plano!
O verdadeiro amor por Jesus, e a resposta aos Seus apelos por unidade começam nos gestos concretos (naquilo que é possível, e entre aqueles que Deus coloca no nosso lado... o nosso próximo!) , em especial no olhar ao pobre.
Fica também o convite! Quem sabe você não possa participar conosco, ou ainda, difundir essa idéia na cidade ou na região em que você está, evangeliza...
Que o Senhor nos instrua no amor e na unidade!!!!
terça-feira, 11 de março de 2008
Oração...
O que pedirdes ao Pai, Ele vos dará em meu nome.
Até agora, nada pedistes em meu nome;
Pedi e recebereis,
Para que a vossa alegria seja completa.”
(João 16, 23-24)
Já faz um bom tempo que tenho sentido a vontade de escrever algo sobre a oração constante que precisamos fazer em favor da unidade dos cristãos. Mas devo confessar que é com tristeza que escrevo esse texto, por que eu não sou um bom exemplo a seguir. A minha oração é muito fraca, e as vezes passo dias sem me lembrar desse chamado de lutar e orar pela unidade!
Mas gostaria que isso mudasse, com toda sinceridade do meu coração! Não dá mais pra falar de unidade confiando nos homens, não dá! Só Deus pode realizar esse sonho que está gravado no mais profundo da nossa essência, por isso devemos orar sem cessar para que nossos corações estejam abertos para acolher a concretização desse plano de amor.
Mas o que é a oração?
Um suspiro elevado aos céus, como dizia Teresinha...
O meu convite, é que suspiremos todos os dias, pela unidade!
Que o clamor de Jesus, em João 17, se faça presente também nos nossos momentos de conversas com o Pai.
Que Ele nos instrua no amor e na unidade!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Lembranças que marcam
Um amigo da ABU de Juiz de Fora me falara de uma garota que tinha se convertido a Cristo através da ABU. Ela estava lá no congresso. O mais curioso: era católica e participava da ABU. Parece dissonante? Até pensei em escrever "era católica, mas participava da ABU". Esquecemos que a dissonância produz bons sons!
A partir dessa observação, passei a lembrar de irmãos católicos que de alguma forma colaboraram com algum trabalho protestante, sem perderem sua identidade e fé católica. Recordei-me de um irmão que conheci na ABU Viçosa, que era católico e participou conosco em cerca de 2 anos. Lembrei de uma estudante católica da UFV, que num acampamento dos jovens da presbiteriana de Viçosa, falou que era católica e que se sentia muito bem no nosso meio. Quando ela falou aquilo, as pessoas começaram a aplaudí-la com euforia. Percebi sinceridade.
E ontem, conversando com um amigo presbiteriano que foi num projeto missionário no nordeste, fiquei alegre em saber que o pároco da cidade ajudou no projeto, cedendo o salão paroquial e, surpreendentemente, chegou ao ponto de oferecer um almoço para os estudantes missionários do Projeto Água Viva.
Ah, recordei-me também de um rapaz que foi no congresso missinário da ABU em 2006, com uma blusa de um Grupo de Oração Católico: caminhava com seu alforge pelo congresso a fora. Hoje, é meu grande amigo, o Renato. Caminhamos juntos.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Unidade na humanidade...
Quero partilhar com vocês um pouco do “novo entendimento” que tenho tido a cerca da unidade entre os cristãos...No dia 17 de setembro do ano passado, postei um pequeno texto falando sobre a importância da confissão mútua dos pecados. Até então, eu tinha experimentado um pouco desse caminho, mas agora, quero retornar a esse tema depois de viver intensamente essa graça nos últimos dois meses.
“Muito devo melhorar na minha abertura de coração para o próximo!” Foi uma das frases finais do meu post e ainda hoje a tenho como uma verdade em minha vida. No entanto, pude experimentar de uma ação profunda de Deus nesses últimos meses quando me abri mais e confessei os meus pecados para outros cristãos.
Primeiro experimentei de uma dificuldade profunda pra contar meus segredos para alguém. Uma sensação muito ruim, parecia um medo misturado com orgulho e outras coisas que ainda não compreendo bem. Mas depois que o fiz, quanta paz eu ganhei no meu coração! Que sensação de amor tomou conta da minha vida!
Hoje sou uma pessoa mais calma e serena, desde que conversei com alguns amigos cristãos sobre as minhas dores mais profundas, os meus medos, os meus traumas, os meus pecados e os meus dons! Hoje me sinto mais unido a Cristo e consequentemente mais unido aos irmãos, e não somente a esses com os quais compartilhei minha vida.
Tenho entendido que quando crio um vínculo maior de amizade com alguém, o Corpo de Cristo, inteiramente, se beneficia dessa união! Da mesma forma quando quebro um vínculo de amizade, o Corpo também sofre as dores! Quando tenho uma vitória em Cristo, todos os membros são agraciados e quando peco, todos pecam comigo!
Dessa forma, estando mais unido aos irmãos pela graça que foi a confissão dos meus pecados para eles, tenho tido um motivo maior na minha busca de santidade. É uma certeza renovada no meu coração, de que todo o meu esforço em ser santo, reflete na busca desses que estão unidos a mim...
E como Deus tem confirmado essa verdade no meu coração! Dia após dia...
Depois que agi de tal forma, algumas pessoas têm me procurado sentindo uma necessidade de conversar sobre suas limitações. E tem sido muito bom pra o crescimento da minha fé e da unidade que sonho em viver com os irmãos em Cristo. De fato, quanto mais entro contato com a humanidade dos outros, mais me sinto parte do plano de Salvação de Deus.
Eu, como eles, formos salvos e precisamos viver como tais. E o Senhor, como Ele bem diz, dá sua graça presença àqueles que se unem em seu nome. O rosto do irmão é face de Deus, e é também fonte da sabedoria do amor divino que tanto carecemos.
Quanta libertação e cura estão na confissão mútua dos pecados e no reconhecimento da grande esperança plantada no coração dos cristãos! Quando assumo minha humanidade dou o outro a oportunidade de mostrar sua “divindade”. Ele me encoraja a continuar na luta, sofre comigo, manifesta a compaixão do próprio Cristo!
Essa é a unidade que tenho vivido e sonhado para todos nós cristãos!
Obrigado por que o Senhor tem me instruído no caminho da unidade Contigo e com o próximo!
A Ti toda honra e glória!
“Confessai, pois, uns aos outros, os vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados.” (Tg 5, 16)
sábado, 17 de novembro de 2007
Distância

Isso é o que tenho vivenciado nesses meses distante de Viçosa, um celeiro do amor de Deus na vida e na comunhão entres estudantes universitários. Como posso viver o ecumenismo se nem mesmo relacionamentos aqui possuo, se tantos olhares e cumprimentos se perdem em meio ao ruído, correria e individualismo? E o que muitas vezes tenho de concreto é apenas a minha oração pessoal.
Não se trata de desanimar, mas sim de não ter como praticar o que foi aprendido e vivido em comunhão com tantos outros irmãos cristãos. Hoje quero dizer que estou unido a esta causa, mesmo que congelado, tendo apenas minha mente funcionando e intenções e sentimentos ainda quentes dentro de mim. Espero crescer ainda mais e aprender em breve a doce lição de se viver intensamente algo que ainda não se possui. Por hora, apenas tenho descoberto que o que foi aprendido não ficou em Viçosa, mas se mantêm aqui comigo, apenas espero reviver novamente essa tão bela diferença.
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Buscar a unidade, um jeito de ser...
Na minha vida, de forma muito pessoal, tenho compreendido o evangelho na perspectiva da unidade. Buscá-la passa a se confundir com minha vontade de viver o evangelho e ser santo. Tenho “pagado” um certo preço por isso.
Um dos desafios desse caminho é almejar primeiramente uma unidade com Deus. Não é fácil reduzir a dissonância que existe entre o “meu querer” e o querer divino. Não é fácil controlar o meu desejo de controlar tudo! Confiar no Bom Deus e me abandonar em sua providência é uma luta!
Um outro desafio é o de viver a unidade comigo mesmo. Um auto-conhecimento profundo faz com que minha “parte ruim” e a “parte boa” se integrem e assim eu seja perfeitamente humano, não mais tão fragmentado! Esse conhecimento de minha essência faz com que eu tenha mais o que oferecer para o outro, compreendo a minha diferença e passo a usá-la.
Começo a enxergar que esse chamado de viver a unidade é muito mais profundo do que eu imaginava... Não se trata de uma especificidade ligada às diferenças cristãs, mas é um jeito de viver os ensinamentos de Cristo, um jeito de viver o céu na terra. Um jeito de ser o “amor” no coração da Igreja.
Ultimamente tenho sido muito apresentado às divisões da Igreja! E são muitas... Mas tenho tentado ter uma postura diferente do que estamos acostumados. Deixo-me primeiramente ser atingido por essas divisões. Reconheço que faço parte delas e procuro viver a unidade com Deus, comigo mesmo e então parto para uma atitude de unidade para com a Igreja.
Tento aproveitar dessas divisões pra levar a paz profunda de Jesus. Mas viver isso realmente não é fácil, pois existem algumas pessoas, às vezes por motivos desconhecidos, com quem não me sinto nenhum pouco à vontade para iniciar um diálogo. Talvez esse seja o maior desafio! Mas aí então conto com a graça de Deus...
Em determinados momentos preciso também ser humilde e reconhecer que tais situações não são da minha alçada. Deixo que Deus use dos seus insondáveis caminhos e resolva os problemas... Mas até chegar até a esse tipo de pensamento trato a situação difícil com a mesma importância que trato as outras e faço o mesmo caminho de reflexão que proponho para a vivência da unidade. Unidade com o Pai, Unidade comigo, Unidade com a Igreja.
Sinto que tenho muito o que aprender... Também sinto uma imensa gratidão por tudo que o Senhor tem feito em minha vida e por toda instrução paciente comigo. Agradeço ainda a cada amigo que tem permitido essa experiência de unidade em nossos relacionamentos. Conto com a importância de cada um para amadurecer nesse jeito de ser um...
sábado, 27 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Pequena e profunda visita...
Nesse ultimo sábado visitei mais uma vez a IPV*.Fui convidado pelo amigo Gustavo para um show do “Baixo e Voz”...
E novamente pude sentir como Deus fala através do simples:
Um baixo, uma voz e tanta profundidade...
Percebi que as pequenas coisas são mais difíceis de serem feitas, justamente por serem a base de tudo!
Foi um tempo curto, de 3 músicas apenas...
Mas suficiente para repensar meus sonhos e planos,
Clara e forte foi a voz do Senhor:
“Renato, seja mais sendo menos...”
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Mais um passo rumo à unidade...
“Confessai, pois, uns aos outros, os vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados.” (Tg 5, 16) Tenho descoberto o quanto assumir as nossas limitações e pecados para o próximo pode ser um grande motivo de unidade.
E a unidade cura...
Quando o outro fala das suas dificuldades é mais fácil assimilar que ele é tão parecido comigo, que somos feitos da mesma matéria e criados pelo mesmo Deus!
Nesse confessar pecados também está um belo testemunho do perdão e da graça de Deus. Podemos perceber o quanto o outro e nós mesmos crescemos mesmo sendo tão miseráveis.
E aí temos mais uma oportunidade de assimilarmos a misericórdia na nossa vida!
Muito devo melhorar na minha abertura de coração para o próximo.
Que o Senhor me instrua e conceda sua graça!
domingo, 19 de agosto de 2007
Resposta aberta...
Queria que, se você pudesse, de forma resumida, me contasse como o ecumenismo é na sua vida de forma prática, como você se coloca frente aos cristãos evangélicos, as diferenças etc...
Como é ver Cristo no próximo, que é evangélico e não vê Cristo em você que é católico?
(MARTA, Campos – RJ)
Oi Marta, a paz!
Louvo a Deus por essa inquietação no seu coração...
Acho que a primeira coisa que podemos fazer pra viver a unidade dos cristãos é não abafar esse incômodo que surge no nosso íntimo por causa da divisão da Igreja de Cristo. E devemos buscar respostas, como vc tem feito!
Falando um pouco da minha vivência...
Bom, eu não tenho me relacionado tanto com cristãos evangélicos que não enxergam Cristo em mim, não sei se conseguirei responder tão bem à sua pergunta.
Mas já aconteceram algumas situações em que o meu testemunho de experiência com Deus fez com que alguns evangélicos pensassem que eu fosse evangélico também, e quando descobriram que eu era católico, tiveram uma surpresa!
Penso que precisamos dar mais surpresas para os evangélicos, me entende?
Surpreende-los quando mostramos o nosso jeito de ser de Cristo, que é diferente, mas é real!
E sinceramente minha irmã, penso que a palavra fundamental é o amor...
Não vejo segredo, por mais que eu ainda não tenha me deparado com uma situação tão difícil.
Outra coisa, muitas vezes os evangélicos não reparam só no nosso relacionamento com eles, mas reparam como os católicos se relacionam com o mundo...
E nisso, nós precisamos confessar, temos errado muito, não é mesmo?
Já fui argüido algumas vezes sobre a “podridão” da Igreja Católica. Termo que alguns evangélicos usam.
Doeu o coração quando ouvi essa palavra tão forte, mas isso não é motivo pra que eu me desespere em defender com unhas e dentes o catolicismo sem respeitar, primeiramente, os meus irmãos evangélicos.
Precisamos estar cientes de que muitos deles passam a vida inteira ouvindo coisas negativas sobre os católicos. E não é de um dia para o outro que a visão deles vai mudar...
Por isso, Marta, o nosso testemunho católico na vivência de um cristianismo puro e simples é fundamental. Só assim é que, aos poucos, alguns evangélicos que têm uma imagem tão negativa dos católicos poderão quebrar certas barreiras.
O meu relacionamento com os evangélicos tem sido muito dialógico...
Ouço a opinião deles e procuro encontrar um espaço pra expor a minha opinião.
Lembrando que diálogo verdadeiro não tem o objetivo de convencer uma ou outra parte.
A verdade surge, justamente, quando colocamos nossas vidas uma ao lado da outra, sem a pretensão de se achar melhor que o outro.
Bom, se um evangélico tentar te convencer que vc não é de Cristo, peça-o uma oportunidade pra dizer como vc se relaciona com Deus no dia-a-dia...
Me lembrei de um caso...
Em uma das viagens que fiz (BH-Viçosa), certa vez vim sentado ao lado de um menino muito legal.
Conversamos sobre de onde éramos e o que iríamos fazer em Viçosa.
Ele era cantor de BH e tava indo pra Viçosa fazer um show...
Eu era cantor de Sete Lagoas e tava indo pra Viçosa, pra depois pegar um ônibus pra Ubá, pra depois pegar um ônibus pra Divinésia, pra cantar apenas uma música lá.
Mas percebendo que ele era diferente, perguntei que tipo de música ele cantava...
Disse-me que era evangélico da Assembléia de Deus e que cantava músicas de Adoração. Perguntou se poderia cantar uma música pra mim e eu disse: “Claro!”...
Cantou lindamente, dentro do ônibus. Com certeza outras pessoas ouviram...
Eu disse que também cantava pra Deus, mas que era católico, e ele não pediu pra eu cantar!
Mas continuamos a nossa conversa e agora com o foco na pessoa de Jesus Cristo. Percebi claramente como ele se surpreendeu quando eu falava de forma apaixonada sobre meu relacionamento com Deus...
Tenho quase certeza de que alguns pré-conceitos foram quebrados naquela hora tanto da parte dele, como da minha...
Pude perceber que deixar de usar bermudas tinha um sentido muito profundo pra ele. E como eu julgava os assembleianos por causa do jeito de vestir deles!
Trocamos telefones, mas infelizmente nunca mais entramos em contato...
Mas felizmente nunca me esquecerei do crescimento que tive com a companhia daquele garoto.
Bom Marta, não sei se consegui me fazer entendido...
Mas é isto que eu tinha pra te dizer: Testemunhe o seu jeito de ser de Cristo!
Que Deus abençoe a sua busca pela vivência da unidade!
Um abraço carinhoso,
Renato
*Essa pergunta da Marta foi enviada para meu e-mail pessoal, no entanto, tive sua permissão para postar a minha resposta aqui no Blog. Penso que essa é mais uma oportunidade de tesmunhar um pouco do que penso e experimento a cerca da unidade...
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Resposta à carta aberta
Olá Renato. Peço perdão pela demora
Primeiramente, tive medo. Isso mesmo: medo. Não gostaria de usar os mesmos artifícios retóricos que os opositores da unidade utilizaram após a divulgação da noticia sobre a visão eclesiástica da Igreja Católica. Aliás, eles nunca estiveram tão satisfeitos como atualmente. Por isso, tive receio em usar dessa carta para defender meu lado e, portanto, ser de alguma forma injusto.
Em segundo lugar, fiquei muito triste pela posição oficial do Vaticano. Esperava mais. Pensava eu que nosso caminhar na Unidade seria suficiente para que a cúria romana nos enxergasse em pé de igualdade com os católicos. Engano meu.
Isso é normal. Expectativas mal cumpridas nos trazem decepções. Por alguns dias pensei em deixar essa de ecumenismo de lado. Pensei: “o que adianta eu reconhecê-los como irmãos sendo que somos considerados APENAS irmãos separados em comunidades eclesiais”?
E mais uma vez o amor vence o medo. A esperança subverte as expectativas. Se o Vaticano determinar que novamente somos hereges [1], minha luta pela unidade permanecerá. Ficarei nervoso, pensarei em desistir, discutirei com você, porém, no fim, a voz que ecoa no meu coração continuará a dizer: “assim como Eu e o Pai somos um, meu desejo é que vocês sejam um”.
Ai, como é difícil! Enquanto penso em elaborar esse parágrafo, vou me armando, buscando justificativas teológicas para provar que somos igualmente Igreja. Mas eu desisto. Quero que Cristo em mim e em nós, protestantes, mostre o contrário, assim como um dia deixamos de ser hereges, talvez, um dia, seremos considerados igualmente Igreja.
Para terminar, quero dizer que estou disposto a ser um com vocês, custe o que custar. Quando eu ver algum protestante falando mal de vocês, vou continuar a defender vocês. Que nosso amor mútuo constranja aqueles que opõem nossa unidade. Por isso amigo, não se preocupe: continuaremos juntos nessa caminhada, até que Ele venha.
Um abraço sincero,
Gustavo Bianch
[1] Até o concílio Vaticano II, o protestantismo era considerado heresia.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Carta aberta ao amigo Gustavo...
Fiote, meu grande amigo!Sei o quanto mexeu com vc o documento “RESPOSTAS A QUESTÕES RELATIVAS A ALGUNS ASPECTOS DA DOUTRINA SOBRE A IGREJA”, divulgado essa semana pelo Vaticano.
Quero dizer que compartilho a sua angustia. Não é fácil tomar conhecimento de um texto que antes mesmo de ser aberto ao público já começava a ser motivo de mais divisões entre cristãos.
Dói...
Enquanto católico, confesso que não tive nenhuma surpresa ao ler o documento. De fato, trata-se apenas de um esclarecimento da doutrina católica, “nada mais”!
Da forma como alguns jornalistas divulgaram parecia-me que o VATICANO II ia ser lançado na fogueira, mas não aconteceu nada disso... Graças a Deus!
Eu tenho certeza que, pelo sentimento no meu coração e imagino que vc também o sinta, a nossa unidade está muito além de uma unicidade institucional.
Nós sabemos bem que as doutrinas não têm a mesma eficiência que o próprio Deus tem para comunicar a sua mensagem e graça a nós...
Sinceramente, não acredito que a intenção do Papa Bento XVI seja de jogar um balde de água fria em nós que buscamos viver o verdadeiro ecumenismo.
Pelo contrário, acho que quem busca viver o verdadeiro ecumenismo entende que a unidade não vem de cima, não é mesmo?
Vc bem sabe que não concordo com algumas declarações que a instituição IPB faz sobre a doutrina católica, e da mesma forma vc não concorda com algumas declarações que a instituição ICAR faz sobre os outros cristãos e suas doutrinas, mas por isso vamos parar?
Eu creio que não!
Os passos que demos rumo à santidade pela Graça presente em nossos diálogos, ninguém pode apagar!
O que temos crescido e amadurecido na fé com nossa ajuda mútua, ninguém pode nos roubar!
O que mais desejo é que tanto as lideranças católicas quanto as evangélicas tenham a oportunidade de experimentar um pouco do que temos vivido...
Não sei o que poderia acontecer...
Mas acho que se as lideranças se entendessem mais, talvez não tivéssemos tantos motivos para nos angustiar no que diz respeito à unidade dos cristãos.
Contudo, acho que o mais importante é não nos esquecermos de que antes da UNIDADE ser um desejo do nosso coração, ela é um desejo muito maior do próprio Cristo, cabeça do Corpo Mistíco.
Ainda que todos os homens do mundo desistissem do ecumenismo, Jesus jamais desistiria de ter sua Igreja Una, Santa e Católica (Universal).
É isto que me conforta: viver o ecumenismo é viver a Salvação.
Preciso de vc ao meu lado amigo, membro tão importante do Corpo...
Deus nos chama a caminhar juntos nessa pequena via, nos convida a ser amor no coração da Igreja...
Para tanto, Ele há de nos instruir e capacitar!
Um forte e silencioso abraço,
Rê
domingo, 17 de junho de 2007
Nossa hora, nossa vez
Os primeiros protestantes que desembarcaram no Brasil chegaram no final da primeira metade do séc XIX. O monopólio eclesiástico do catolicismo chegava ao fim. Isso significava um grande desafio: era o momento de lidarem com a diversidade cristã. Apesar de a constituição de 1824 prever a liberdade religiosa, os cultos protestantes só poderiam ser realizados nas casas. Isso era um pequeno indício de que os mesmos não estavam preparados para o que estava pra acontecer.
De início, a relação entre evangélicos e católicos foi bastante complicada. O preconceito era amplamente compartilhado. Ambos se viam como únicos detentores da verdade. Os católicos viam os evangélicos fora do Corpo de Cristo, enquanto os protestantes os consideravam a parte podre da Verdadeira e Única Igreja de Cristo. Enfim, o que imperava era uma relação de ódio, desconhecimento e profunda exclusão.
Com a novidade do ecumenismo, tanto por parte do Vaticano quanto do CMI - Conselho Mundial de Igrejas -, anuncia-se uma nova era na História do Cristianismo no Brasil: o período de reconciliação. Contudo, a proposta encontrou contínua resistência, apesar dos muitos adeptos, trazendo junto com a cordialidade mais confusão.
No decorrer desses anos, podemos dizer que o ódio se atenuou, graças ao Bom Deus! Poucas ofensas vemos atualmente. Nenhuma provocação séria, muito menos agressão física, como outrora era uma coisa quase natural. Podemos dizer que evoluímos - confesso que detesto esse termo, mas no momento o acho coerente.
Deixamos de ser odiosos para sermos indiferentes. Ninguém xinga ou ofende o outro. Os apelidos de mau gosto parecem ter sido esquecidos. As discussões maliciosas de pastores versus padres de alguma forma caíram no desuso. Agora a fórmula é diferente: você no seu cantinho e eu aqui, no meu.
Ninguém atrapalha o outro, mas também não ajuda. Não se ofende, mas não elogia. Precisamos romper com esse momento para entrar num outro: o da verdadeira aproximação. Menos de um relacionamento litúrgico ou institucional, sobretudo, de laços que perpassam nossas diferenças e amplie nossa capacidade mútua de proclamar Cristo, nosso Único Senhor e Rei.
Esta é a nossa hora e a nossa vez. Precisamos nos levantar diante de uma geração de cristãos acostumados com o isolamento. Convivemos perto do outro sem notá-lo. Sabemos de sua existência, porém, sem conhecê-lo. Todavia, Cristo nos chama para dar um passo além. Esse passo, creio eu, é uma aproximação...
Espere aí, meu querido leitor, tem uma coisa errada! Estou desde 25/05 tentando escrever esse texto e nunca acabo. Uma conclusão que já esquentou minha cabeça. Não consigui completar esse parágrafo de jeito nenhum. Enquanto isso, o Renato sempre me lembrava de terminar o texto. E eu, nada! Hoje percebo o porquê.
Ora, esta conclusão está inacabada. Sabemos o que fazer (nos aproximar mais, contribuir com o outro, reconhecer e etc...), mas não sabemos como. A finalidade é clara em minha mente, até sei por onde começar, porém, o desenvolver dessa nova etapa é algo novo pra mim e, acredito, pra todos nós. Resta-nos orar, entender, ouvir o que Deus tem para nós, nesse grande desafio da Unidade entre os cristãos. Estar aberto, sim, achei a expressão que queria, estar aberto para o desenvolver dessa unidade é a verdadeira tônica, da nossa hora e nossa vez.
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Carta aos amigos da ABU...
Espero que esteja tudo bem com vcs...
Alguns sabem do meu grande desejo de crescer em unidade com os evangélicos. Gostaria de esclarecer que quando me refiro à unidade dos cristãos ou ecumenismo estou falando de coisas muito simples como essa carta. Sinceramente, o meu maior desejo é que vcs sejam autênticos cristãos assim como eu tenho tentado ser. Não tenho intenção de juntar todo mundo numa panela com um discurso de “paz e amor”. Não é esse o meu entendimento de unidade dos cristãos...
Na tentativa de compartilhar experiências e compreender melhor esse chamado a sermos um, é que estamos propondo uma programação na “Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos”. Essa semana que antecede o dia de Pentecostes é vivida em algumas Igrejas, dentre elas a Igreja Católica.
Penso que a divisão dos cristãos na época de Lutero foi um motivo de conversão, mas hoje, vejo a divisão como um motivo de escândalo. Digo isso porque nos acostumamos com ela...
Não questionamos o porquê de estarmos divididos. Não estou falando das diversas denominações cristãs ou formas diferentes de seguir a Jesus, estou falando do abismo que criamos entre nossas almas. Nos acostumamos com tantos pré-conceitos e pós-conceitos errados.
Há um tempo atrás, quando perguntei para o Daniel se ele gostaria de ser meu amigo, tive muito medo, não sabia o que me esperava. Eu ainda não sabia que o mesmo Jesus que ele seguia era o que eu buscava seguir também. Parece bobagem, mas realmente não sentia que o Jesus dos evangélicos era o mesmo dos católicos e acho que tem um tanto de gente que pensa assim.
Acho que tem muitos católicos que respeitam evangélicos e vice-versa, mas poucos são os que acreditam um no outro, poucos são realmente irmãos.
“Mas aonde vc quer chegar com esse chamado de unidade?” alguém pode me perguntar...
Respondo que não sei... O que sei é que hoje sou mais livre e isso é muito bom!
É muito bom não precisar fingir ser outra pessoa quando estou ao lado de um evangélico, é muito bom não ter a necessidade de tentar converte-lo para o catolicismo, é muito bom acreditar que ele busca a Deus tanto quanto eu , e é muito bom poder incentivar e ser incentivado por evangélicos a não desistir de seguir os passos de Jesus.
Penso que esse seja um grande motivo em favor da unidade. Sem contar o testemunho que damos quando nos amamos e vivemos a palavra de Jesus: “Amai-vos uns aos outros, nisso reconhecerão que sois meus discípulos”.
Bom, já falei demais...
Gostaria de contar com a presença de vcs nas atividades que faremos na intenção de crescermos em unidade:
- Quarta-feira, dia 23 de Maio às 20:00h no PVB 102, UFV:
Um debate com o tema “Diálogo ecumênico e o chamado à unidade dos cristãos”.
Eu e o Gustavo pretendemos moderar a discussão.
Faremos uma rápida apresentação da unidade simples que temos buscado viver e abriremos para uma reflexão conjunta.
Levarei alguns materiais (livros e textos) para emprestar aos interessados.
- Quinta-feira, dia 24 de Maio às 13:00h no PVB 101, UFV:
Um estudo bíblico dirigido por vcs...
- Sexta-feira, dia 25 de Maio às 20:00h no CEE, sala 10, UFV:
Uma palestra conjunta com o tema: “Unidade dos Cristãos: avanços e desafios”.
Os palestrantes serão o Pastor Elben César e o Padre Wandinho, duas pessoas que me incentivam muito a continuar na luta pela unidade.
- Sábado, dia 26 de Maio às 21:00h na minha casa:
Confraternização e também um momento de oração...
Conto com a presença de vcs, sinceramente!
Quero muito ouvir as opiniões e tentar contribuir com as minhas experiências...
Oro pra que o Senhor nos instrua na Verdade, e nada mais...
Agradeço ao Pai pela missão de vcs e pelo carinho que tenho recebido da ABU.
Nunca me esquecerei do Missão 2006, foi um momento muito especial para minha fé. E também uma oportunidade de confirmar o meu chamado de viver a unidade com vcs...
Obrigado pela atenção,
Um abraço bem forte!
Renato

